Mané Garrincha terá impedimento semiautomático para final da Copa do Brasil

O Estádio Nacional Mané Garrincha terá uma novidade tecnológica antes de receber a primeira final única da história da Copa do Brasil. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) solicitou a instalação do sistema de impedimento semiautomático (SAOT, na sigla em inglês) na arena de Brasília, palco da decisão marcada para 6 de dezembro. Os equipamentos serão instalados por meio do contrato da entidade com a Genius Sports, responsável pela tecnologia, e o palco esportivo deverá passar por pelo menos dois testes antes da partida.

A estrutura ainda não estava disponível no Mané Garrincha porque a arena não recebe regularmente partidas da Série A do Campeonato Brasileiro. A CBF concentrou a instalação inicial nos estádios utilizados pelos clubes da elite nacional, além da Arena Barueri, utilizada pelo Palmeiras em períodos de indisponibilidade do Allianz Parque. Com a chegada do SAOT, o estádio brasiliense também poderá cumprir os requisitos tecnológicos para receber jogos do Brasileirão.

Antes da decisão da Copa do Brasil, a arena será submetida a adequações e testes para validar o funcionamento do sistema. Segundo o planejamento da CBF, pelo menos dois ensaios devem ocorrer no local. Em outros estádios, partidas das categorias de base foram utilizadas para verificar o funcionamento dos equipamentos e realizar ajustes antes da utilização em competições profissionais. O Distrito Federal tem bola rolando na Série B do Campeonato Candango e em torneios de idades inferiores.

A instalação chega justamente para uma decisão histórica. Pela primeira vez desde a criação da Copa do Brasil, em 1989, o campeão será definido em jogo único. O Mané Garrincha foi escolhido pela CBF em razão da estrutura, logística e localização considerada neutra para uma final envolvendo clubes de diferentes estados. A partida está marcada para 6 de dezembro, e os semifinalistas são Palmeiras, Vasco, Atlético-MG e Grêmio. Todo o equipamento deve ficar de legado para futuras partidas na arena de Brasíilia.

Como funciona o impedimento semiautomático

O SAOT foi desenvolvido pela GeniusIQ, plataforma de inteligência artificial e dados da Genius Sports, e começou a ser utilizado no futebol brasileiro em julho. O sistema não substitui o árbitro nem altera a regra do impedimento. A tecnologia automatiza etapas da análise para entregar ao árbitro de vídeo uma indicação mais rápida e precisa sobre possíveis posições irregulares.

Nos estádios equipados, entre 28 e 32 câmeras dedicadas capturam dados dos jogadores e da movimentação em campo. O sistema processa bilhões de pontos de informação, identifica automaticamente os atletas envolvidos em uma possível infração, determina o instante exato do passe ou chute e produz uma representação tridimensional da situação de impedimento em poucos segundos.

Essas informações são encaminhadas em tempo real para a Central de Operações do VAR da CBF, no Rio de Janeiro. Lá, os dados do SAOT são integrados ao sistema de árbitro assistente de vídeo e às informações de rastreamento dos jogadores. A tecnologia, portanto, oferece ao árbitro uma referência automatizada, mas a decisão continua sob responsabilidade da equipe de arbitragem.

A principal diferença está no tempo e na precisão da checagem. Antes do SAOT, o árbitro de vídeo precisava selecionar manualmente o momento exato do passe e posicionar as linhas de impedimento sobre a imagem. Com o novo sistema, essas etapas são automatizadas e uma visualização em 3D é produzida para auxiliar a análise. Na estreia no Brasileirão, o recurso foi acionado cinco vezes e apresentou tempo médio de checagem de 47 segundos.

Tecnologia já chegou à Copa do Brasil

O impedimento semiautomático também já faz parte da Copa do Brasil. A CBF passou a utilizar o recurso a partir das quartas de final, quando todos os estádios dos clubes envolvidos naquela fase já contavam com a estrutura necessária. O acordo firmado com a Genius Sports prevê a tecnologia para o Brasileirão e para a Copa do Brasil nas temporadas de 2026 e 2027.

A implantação brasileira começou a ser planejada em 2025 e envolveu inspeções técnicas, instalações, avaliações de engenharia, testes e treinamento de árbitros, operadores de VAR e equipes técnicas. Antes da estreia, a CBF informou ter visitado 20 estádios para implementar o sistema, em um processo de aproximadamente oito meses.

No Mané Garrincha, a tecnologia terá uma função imediata na maior decisão do futebol brasileiro prevista para Brasília em 2026. A partir da instalação e da conclusão dos testes, porém, o equipamento poderá ampliar o calendário da arena. Além da final da Copa do Brasil, o estádio passará a reunir as condições técnicas exigidas para receber partidas do Campeonato Brasileiro, abrindo uma nova possibilidade para o principal palco esportivo da capital federal.

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